domingo, 1 de junho de 2014

Tipos de Desnutrição Infantil

Olá, pessoal. Nessa semana vou discutir um pouco sobre os tipos de desnutrição que acometem as crianças e suas consequências fisiológicas, além das formas de tratamento convencionalmente usadas nos hospitais.
Mas como reconhecer uma criança desnutrida? Através da avaliação clínica rotineira em que se coleta os dados antropométricos  da criança já se consegue fazer um diagnóstico sugestivo de desnutrição infantil. Dados como peso, estatura, perímetro cefálico, circunferência do braço e prega cutânea são usados na hora do exame para diagnosticar o estado nutricional da criança.

O sinal clínico mais precocemente observado é a falência do crescimento, quando o ganho ponderal torna-se insuficiente. Por isso no Brasil, junto com o cartão de vacinação da criança, o Ministério da Saúde distribui uma caderneta de acompanhamento do desenvolvimento da criança onde periodicamente são coletados nos postos de saúde todos os dados antropométricos e feito um gráfico, que é comparado com padrões de normalidade de acordo com a idade. Nesse sentido, esses dados são muito eficientes na descoberta da desnutrição leve e moderada.

Com a alimentação inadequada, o organismo da criança desenvolve outros meios de compensar a ausência de nutrientes (fig. 1 e fig. 2), o que causa alterações fisiológicas importantes e que podem ser mensuradas através de exames clínicos. Os resultados desses exames podem apontar para um terceiro nível de desnutrição, considerada grave: desnutrição calórico-protéica. Esse terceiro nível de desnutrição pode ser dividido em três tipos de acordo com as alterações causadas. São elas:

1 – Seca (Marasmo)
                É caracterizado como a perda de massa muscular e a depleção do conteúdo corporal de lipídeos (fig. 4). É a forma mais comum de desnutrição protéico-energética e é causada pela ingesta inadequada de nutrientes, especialmente calorias totais. Ela ocorre principalmente em lactentes (1º ano) que receberam uma dieta inadequada e/ou deficiente, devido principalmente a amamentação inadequada. As características principais são: criança pequena para a idade; atrofia muscular e subcutânea com costelas proeminentes e pele solta e enrugada; além de emagrecimento seco; criança hipoativa e cabelos escassos/finos.

Figura 1 - Alterações matabólicas da desnutrição marasmática


2 – Molhada (Kwashiorkor)
                 Seu nome significa “aquele que foi colocado de lado” indicando que acomete principalmente crianças mais velhas que foram desmamadas precocemente devido ao nascimento do irmão mais novo. É caracterizado por atrofia muscular marcante, com gordura corporal total normal ou aumentada devido a ingesta inadequada de proteínas, com conteúdo razoável a bom de calorias totais ingeridas (fig. 4). As características principais são:  ocorre em crianças acima de 2 anos; tecido gorduroso subcutâneo preservado, edema, pele ressecada e inflamada; abdome distendido; diarreia.

Figura 2 - Alterações metabólicas da desnutrição tipo Kwashiorkor


3 – Intermediária (Kwashiorkor-marasmático)
                É a forma mista entre as citadas acima. As características principais são:  ocorre em crianças entre 1 e 2 anos; perda de tecido celular subcutâneo; e edema de extremidades.

Figura 3 - Diferença metabólica entre Kwashiokor e Marasmo





Figura 4 - Crianças com desnutrição do tipo Kwashiokor e Marasmo

Os tratamentos hospitalares atuais para a recuperação das crianças com desnutrição grave são com base em três fases: estabilização; reabilitação e acompanhamento. Primeiro deve-se tentar corrigir os problemas que ocasionem risco de morte, reverter as anormalidades metabólicas e iniciar a alimentação. Depois dá-se alimentação intensiva para assegurar o crescimento rápido visando recuperar grande parte o peso perdido, ainda quando a criança estiver hospitalizada. Por fim, após a alta, encaminhar para o acompanhamento ambulatorial para prevenir a recaída e assegurar a continuidade do tratamento.

Como visto, o tratamento convencional é muito burocrático e requer muitas etapas, o que pode prejudicar a recuperação da criança. Tendo em vista o uso dos ATPUs citados no post passado, que não exigem nenhum acompanhamento e são de uso intuitivo, podemos concluir que deve-se procurar outras maneiras mais eficientes  para o tratamento da desnutrição infantil além do modo convencional.

sábado, 24 de maio de 2014

Alimentos convencionais não são suficientes

Como citado no post anterior, a desnutrição é um mal que atinge várias populações carentes pelo mundo e afetam mais perigosamente as crianças por ainda estarem em desenvolvimento e, assim, as consequências são bem danosas. Um problema cotidiano no combate à desnutrição infantil é a inaptidão do organismo da criança em receber alimentos convencionais por terem permanecido muito tempo sem ter alimentação suficiente.

Conforme o relatório “Famintos por Atenção” da Medecins Sans Frotieres (MSF), a ajuda alimentar dada às crianças desnutridas em situações emergenciais não são suficientes para a recuperação delas e alerta para a necessidade de mudá-la para garantir uma dieta rica em nutrientes para crianças. Isso se justifica pelo fato de a desnutrição não ser somente a falta de alimentos, e sim a ausência de um ou mais dos 40 nutrientes básicos para o dia-a-dia como zinco, selênio, nitrogênio, vitaminas e aminoácidos essenciais.

As vitaminas, por exemplo, são essenciais para o nosso metabolismo, pois muitas vitaminas originam as coenzimas de muitas enzimas, enquanto outras são precursoras de hormônios. Um exemplo é a Tiamina, vitamina B1, que origina a tiamina pirofosfato (fig. 1) atuando em vários sistemas enzimáticos que catalisam reações do ciclo de Krebs, no metabolismo oxidativo de glicídeos e lipídeos, além de ser fundamental para o funcionamento do cérebro, músculos e nervos.

Fig. 1 – Conversão da Tiamina em Tiamina pirofosfato

Assim, outras alternativas vêm surgindo no intuito de contornar esse problema e recuperar o estado nutricional dessas crianças. A própria MSF utiliza alimentos conhecidos como Alimentos Terapêuticos Pronto para Uso, por eles terem todos os nutrientes necessários às crianças em níveis corretos e já prontos para serem absorvidos pelo organismo, além de não conterem água e não necessitarem de cozimento, o que elimina o risco de contaminação e de perda de nutrientes. As embalagens desses alimentos permitem a estocagem em longos períodos, além de estarem disponíveis em porções individuais, o que facilita adesão ao tratamento.

O UNICEF também tem colaborado com iniciativas como essa visando a recuperação de crianças em áreas muito afetadas pela fome. Em parceria com o Ministério da Saúde e com a empresa Joint Aid Management, detentora da patente do alimento, o UNICEF lançou em 2010 a primeira fábrica de Alimento Terapêutico Pronto para Uso (ATPU) na cidade da Beira em Moçambique. Essa ação se deveu pelo fato de 4% das crianças menores de cinco anos em Moçambique sofrerem de desnutrição aguda, e entre estes um pouco mais de 1% sofre de desnutrição aguda grave.

O ATPU é uma pasta baseada em amendoim, que contém uma mistura de leite em pó, óleo, açúcar, vitaminas e minerais em proporções adequadas para o tratamento de uma criança desnutrida. Outra vantagem dele é que pode ser usado sem nenhuma preparação ou supervisão especial, de forma que os próprios pais podem dá-los às crianças desnutridas em casa evitando gastos do governo com alimentação terapêutica nos hospitais e centros de saúde. Traduzindo para o dito popular, para o governo é possível matar dois coelhos com uma só cajadada.
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As pesquisas em torno das consequências da desnutrição em crianças e como tratá-la continuam e o nosso blog se compromete a buscar e repassar os resultados a vocês, leitores. Continuem acompanhando.



Fontes:

http://www.unicef.org/mozambique/pt/media_5512.html

http://www.msf.org.br/conteudo/29/desnutricao/

http://www2.ufpel.edu.br/iqg/db/Apresenta%E7%F5es_PPT/Textos%20Complementares/Vitaminas%20e%20Coenzimas.pdf

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Piloto

Uma em cada quatro crianças menores de cinco anos de idade sofrem com a desnutrição crônica o que provoca atrofiamento de seu organismo. Esse dado foi veiculado por uma agência da ONU no ano passado. Esse fato é muito grave, pois o dano causado ao corpo e ao cérebro de uma criança pelo atrofiamento é irreversível, sendo as consequências percebidas no prejuízo do desempenho na escola e mais tarde no trabalho, além de expor as crianças a um maior risco de morrer por doenças infecciosas.

A concentração dessas crianças não é uniforme, pois a maior parte delas encontram-se em países subdesenvolvidos. Cerca de 80% vivem em apenas 14 países. Já no Brasil o estudo Evolução da Desnutrição Infantil no Brasil e o Alcance da Meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, divulgado pelo Ministério da Saúde, em fevereiro de 2013, demonstra que o país melhorou sua taxa de desnutrição nas últimas décadas. Crianças menores de cinco anos superaram o prejuízo de peso ideal, e acredita-se, no estudo, que aconteça o mesmo com a altura na próxima década.

Apesar dos avanços, esses estudos citam que ainda são encontradas desigualdades importantes no Brasil, pois com seu tamanho continental há diferenças entre as regiões geográficas, as classes de renda e os grupos populacionais. A Região Norte ainda apresenta elevada prevalências de déficit de altura e de peso provocados pela desnutrição infantil.

Mas onde entra a bioquímica nessa história? Etimologicamente a bioquímica significa “química da vida” e o fator primordial para a manutenção da vida e das atividades diárias dos seres vivos é a nutrição, que é feita através de moléculas presentes nos alimentos. Daí vem a química, pois a glicose é a fonte primária de energia para o corpo, e todo o mecanismo de conversão desse carboidrato em energia é estudado pela bioquímica.

Assim, várias alternativas vêm sendo criadas para a resolução da desnutrição infantil, com base na reposição dos nutrientes necessários para o desenvolvimento da criança, como a glicose e as proteínas, que são formadas por peptídeos denominados aminoácidos. É em cima dessas soluções para o problema da desnutrição infantil que irei trabalhar, sempre relacionando os mecanismos de atuação das propostas  com a bioquímica.


Fontes: 

http://www.onu.org.br/165-milhoes-de-criancas-estao-desnutridas-em-todo-o-mundo-80-em-apenas-14-paises/

http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2013/06/unicef-diz-que-combate-a-desnutricao-infantil-deve-ser-prioridade